13 dezembro 2006

Para quem acabou de instalar o seu primeiro GNU/Linux

Sempre usaste windows e agora acabaste de instalar uma distro de GNU/Linux, por exemplo Ubuntu ou outra Debian-like, no teu PC e andas a passear pelos menus, a apreciar a coisa.... Atenção, deves ter em mente algumas coisas muito importantes agora que estás a usar o linux!

  • A arte de instalar programas em Linux.
No windows, se quiseres instalar algo, tens de procurar na net pelo programa, ou através dalgum programa p2p. Depois passá-lo pelo antivírus, descobrir que até é um demo ou algum shareware e ainda tens de arranjar alguma chave ou crack para ele. Depois é clicar no setup.exe, instalar no C:\Program Files e em mais alguns sítios que nunca saberás bem onde nem bem o quê..

Em Linux tens o synaptic, um pequeno programa que te faz o trabalho todo, apenas tens de escolher o que queres instalar. Ele vai buscar a matéria-prima a locais determinados, armazena-os, instala-os e configura-os. Nada de demos, sharewares e outras porcarias típicas do windows. Após escolheres o que queres, o teu seguinte trabalho é ires ao menu e clicar no programa que já fica instalado... Usa e abusa do synaptic!

  • A linha de comandos (terminal) e o root
Qualquer operação, qualquer programa, pode ser feita ou lançado a partir da linha de comandos dum terminal. É por isso que quando se pede apoio nalgum fórum, normalmente as instruções são dadas para a linha de comandos em vez de "clicas aqui e depois clicas ali...". Os programas gráficos podem ser muito diferentes para fazer uma determinada acção, mas pela linha de comandos a linguagem é quase universal. Por isso é que o utilizador comum tem certas restrições no uso do terminal, pode lançar programas, mover/criar/alterar ficheiros seus, etc. Mas quando toca a mexer no sistema, a instalar programas, alterar configurações, aí só com a permissão do root, ou seja, a sua password! Estas restrições tem o seu motivo, protegem o sistema de ser danificado por algum descuido dum utilizador qualquer, por exemplo.

Por isso, quando quiseres fazer algo como root e for pedida a password, tem atenção ao que fazes! Tal como digitar o "sudo" ou "su + password do root" na linha de comandos! Em caso de dúvida, passa pelo fórum de ajuda, por exemplo o do ubuntu, e pede uma explicação que o pessoal terá o maior prazer de a dar.

  • Ambientes de trabalho
No windows tens apenas o explorer ou o que quer que seja aquilo. Podes alterar o visual, meteres umas skins mas continua a ser o mesmo ambiente: explorer.exe. No linux tens vários! Os mais conhecidos são o KDE e o Gnome, embora existam muitos mais e bem diferentes uns dos outros como o WindowMaker, enlightenment ou XFCE. Sempre que entras no menu de escolha do utilizador, tens também a possibilidade de escolher qual o ambiente que queres usar nessa sessão. E se apenas tens um como acontece com o Ubuntu e o seu ambiente Gnome, abres o synaptic e faz o favor de instalar outros! Não esqueças que ao usares outro ambiente, apenas mudas a maneira de ver as janelas e como funcionam e como tudo o resto é visto. A maior parte dos programas trabalham em qualquer ambiente, embora uns trabalhem melhor com um ambiente e outros noutros ambientes, exemplos podem ser os programas que começam por "k" que se integram melhor com o KDE e os programas que começam por "g" se integram melhor com o Gnome. Tem sempre em mente que qualquer ambiente pode ser totalmente configurável ao teu gosto, e passível de ser apetrechado com "n" programazinhos úteis, como o gdesklets ou o superkaramba.

  • Permissões de ficheiros
As "file permissions" determinam quem é que tem acesso, poder mover ou modificar cada ficheiro ou pasta. O GNU/Linux é muito rigoroso com isso! Há 3 tipos de acções possíveis com cada ficheiro:
read (apenas o podes ler); write (podes alterar e move-lo) e execute (ao tentar abri-lo, o sistema tentará executá-lo como um programa).

O dono do ficheiro é o único utilizador que pode modificar as permissões do mesmo. O dono pode colocar diferentes permissões para si ("file owner"), definir grupos de utilizadores ("user groups") e todos os outros utilizadores ("other users").
Na práctica, tudo o que está na tua "home" (/home/teu-nome) podes fazer o que quiser; não tens acesso ao que está nas "homes" dos outros utilizadores; e não podes alterar nada do sistema, como por exemplo /bin ou /etc, sem a password do root!

  • Pormenores vários
-Não é preciso desfragmentar o sistema, isso é coisa de sistemas de ficheiros ultrapassados e inferiores.
-Não é necessário anti-vírus, salvo em casos que queiras usar o teu linux como servidor de mail (para windows).
-O linux é "case-sensitive", ou seja, maiúsculas são diferentes de minúsculas! Exemplo: file.txt é diferente de file.TXT.
-Qualquer pasta ou ficheiro pode ser escondido ou ficar invisível bastando colocar um ponto (.) antes do nome da pasta ou do ficheiro. Exemplos: .Imagens ou .file.txt. Para poder ve-los no konqueror ou Nautilus, basta accionar a opção de "ver ficheiros escondidos".
-Aprendendo a conhecer o GNU/Linux e o software livre, torna-se viciante e nunca mais se quererá voltar atrás....

Bem vindo ao GNU/Linux.

Baseado num artigo de Olivier Cleynen

comentários:

Otimo post.
Irei indica-lo certamente.

Parabéns!!

Fagner
http://opiniaodigital.blogspot.com